Sou a presença da morte na tua alma. Sorrio para ti como um resto de lembrar. Perdas sufocam a distância, preservam o que ficou: a distância que me trouxe a mim e me fez não desejar nada ruim para você. A angústia diferencia minha voz da voz da vida. O nada tem tudo. A vida é a falta de tudo. O nada, como ausência, é o pior da alma no fim da alma. É nada poder dizer a si mesmo. A alma é ser da vida, que deu vida a Deus. Não tem continuação no infinito, e, assim, perde o amor de Deus num abraço eterno. O nada é separado do nada. Não há escolhas. Sinto o nada perto por estar separado de si. Não há silêncio no nosso nada. O nada é o acontecer, a alma se doa como alma para o silêncio. Não se doa em silêncio. É tão comunicável, inesquecível, como dar meu corpo a quem possa cuidar dele. Para o nada dei meu corpo e o nada fica sem nada. Pensava não precisar de si. Perdeu a si e o nada pelo nada que não existe, solta o ar do nada no espírito inesperável. E, assim, o tempo corre na dor de renunciar a vida num tempo de morte. Espírito é a razão da sensibilidade. Razão para haver razão em ser sensível. Não há razão nesse infinito para mim. A razão é o fim. O amor é sem porque, não existe motivo no motivo. Por isso, o nada é o único motivo. Ser apenas por um motivo sem ser.
