O nada só não modifica o ser, torna-o a sombra do nada na claridade da dor. A ansiedade constrói o nada, expulsa o ser do ser. É onde o ficar é despedida, onde o ser e o nada se encontram nessa despedida, para morrer sofrendo, como se a morte agonizasse a si e precisasse da minha dor para morrer, não em paz. Para eu cessar meus olhos, a morte quer apenas morrer. Sem olhos, isso faz-na arrancá-la de sim mesma. Então, a morte sente falta das pessoas que matou, que eram a vida da morte. A morte quis o céu, teve apenas a solidão. Quando olho o céu, esqueço de mim, que vou morrer de mim mesma. O céu é a riqueza das minhas poesias, de tudo que amo, vivo. O ser nunca imita a morte, vai além dele. A morte não tem poder sobre o ser, sabe sorrir. Meu ser é feliz porque quem vai sorrir por mim? As mortes de muitos são o afastamento de Deus. Deixa nunca mais amanhecer. deus se isola, não quer ver a morte morrer. Fica com pena, mas prefere morrer do que ver mais pessoas a morrer. A morte nada ressuscita. A morte crucificou Deus na morte das pessoas. Foi pior para Deus que Deus morrer. Agora me pergunto: O que é infinito? Ninguém sabe responder. O silêncio da morte e o silêncio de Deus queriam a mesma coisa: serem felizes, um longe do outro. Nenhum foi feliz, mas, mesmo assim, havia harmonia, respeito, paz entre a vida e a morte.
