Alma e ser se misturam sem conviver. O nada explora o ar do amor. Amor lento como um sopro começou a voar pelas minhas limitações de viver. Ser para si mesmo é não deixar o nada, a não ser em si mesmo. O olhar é a aparência do ser. Todo instante é igual ao outro, o que muda é o ser. Nada em ser se parece com a vida. O vivido é o que tem na alma, o meu ser. Deus pertence ao seu amor por nós. Nada é suficiente no amor, ele é a nossa deficiência. Reiniciar o início da falta de imagem é buscar a eficácia do nada. Apenas o nada age pela aparência e degusta o céu, ampara o mar. Estou lutando para respirar a poesia que fiz, é a pulsão da vida, é o pulmão de Deus ao me dar ar para respirar. Eu vejo o ar de Deus. Sinto-o respirar, me amar, sem nunca o ver, e é o maior amor que sinto: Deus. Sempre Deus, o amor, vida infinita. Não desperto meu olhar no Deus do olhar. O Deus do olhar é apenas uma esperança, imaginação. Deus concreto. Não posso ver, mas sei como ele é. Nada consigo sem Deus. Deus me busca, me suga nas minhas poesias que não consigo dizer. São Deus em mim. É como calar a vida no canto de Deus. É macio, suave. O que sentir em mim se tenho Deus? É impossível amar sem Deus. Não sei onde estou dentro de Deus, mas sei que estou. Amo-o como se cantasse com Deus e, assim, florescer de amor. A consciência é a mudez de Deus, não é silêncio, é Deus a sofrer comigo. O que nunca será vivido por mim não depende de Deus. É a natureza natural de ser. Deus mamou na vida. A vida mama em Deus até hoje, eterna criança. Sofro por Deus. A minha morte, mesmo morrendo a segurar o coração de Deus. Nesse momento, esqueci tudo, sorri, fechei o olhos, tenho paz: morri.
