Eu posso formar uma morte, nunca uma personalidade. Corações de areia derretem no mar como uma lembrança do corpo, que abastece o Sol na neve, e isso me deixa leve. São poesias. Poesias são como rezas. O ser no pensar não é ele mesmo, é apenas um pensamento, sem essência, o pior da morte em mim. Conversar com a morte é solidão. Nada é melhor do que a solidão dos meus olhos, sem ver, sentir, sem saber o que escrevo. Escrever não é triste, é lutar contra a solidão, os sonhos. É encontrar a realidade de viver. A morte é o que pertence à outra morte, sem o destino. Arrancar a morte de mim é me arrancar de mim. Luz não é esperança. Luz é o ser. Ser é luz, é a vida de outro ser, que deixa o ser sem luz. Se a luz é sempre clandestina, a escuridão é de todos, totalidade da vida. Arranho o céu de tanto amor. Real é o que resta do ser ao morrer. Sempre resta algo, até do que não existe. O que existe é escuridão, sempre neve sem a poesia, que tornou tudo real, e agora é apenas um passado sem saudade, sem sofrer. Mais estranho que a escuridão
