Blog da Liz de Sá Cavalcante

O outro

Ter o outro, fazer-me outro me conclui. A abstinência de mim é ter a mim. Nada me conforma com a realidade. Real é não poder ver. Ver é sem o ser. Nenhuma forma de ser ameniza o real de ser. O ser é a lembrança de Deus no real de mim. Não consigo sentir o real de mim. Talvez o real seja não sentir. Não sentir é minha voz a sofrer por amor. Viver sem o sofrer é não viver. Nada esqueço do não ser em mim. Esqueço do meu ser em mim como uma sombra do infinito. Me apego ao meu não ser. Dependo dele. Nada falta à falta. A maldade, a tristeza, a pele é a tristeza que corrói, me mata, me defendendo de mim. Ser triste é morrer sem morrer.