Por que não posso morrer nas minhas faltas? Será a paz, essa luz onde me escondo para não me verem, como uma alma que quer apenas amor para descansar? Ouvir e ser ouvida com respeito, como a dor da imensidão do infinito. Morrer é um pedaço do céu que aparece para vocês como um pedaço de mim. Onde Deus falta para si mesmo, para dar vida ao céu. O céu é o caminho das trevas. Apenas nas trevas há positividade. As palavras incomodam seu nada sentir. Escrevo o não sentir como a minha morte. Sem erros, é o momento de ter o depois no passado. A falta é o nada da morte. O ser é depois de mim. A sobra da sombra reduz a morte em mim. Fico seca, sem morte. O que o nada sente por mim é amor eterno. O desaparecer é a minha sombra dentro de mim. Amar é um erro dentro de mim. Para morrer na dor do céu, melhor do que o desamor do céu. Voltei para a morte. Ela me olhou com os olhos de amor e eu a desenhei dentro de mim, numa liberdade sem caminhos. Mas deixei de sonhar, isso me encanta. A dor é para sempre, é real. Não saber sofrer é nascer morto para a beleza, para o sol — o nascer que é dor. Ninguém pede para nascer. Apenas eu sei o que é nascer: morrer de amor. Assim, escuto ao menos o silêncio do desamor por mim. O aconchego do fim da fala não é o silêncio, é ser quem sou. Numa inabalável onda que leva o mar embora no partir das areias, na liberdade ilusória que é apenas o silêncio. Faltas são a esperança da eternidade, onde o olhar não falta na morte pelo acúmulo de saudade. Meu corpo é a tua frieza, mas a minha alma é amor. O cansaço de acordar é a manifestação do céu sem os braços de Deus. O silêncio fere mais do que vê. O ver não desaparece, é o que vê para morrer. A única certeza é o fim. A demora do fim é algo que cresce tanto que não choro mais. Nessa demora aprendi a ser eu. Quando morri, o eu ficou em mim. E as faltas se tornaram um sorriso à beira do precipício além da realidade. A morte irá me levar como uma mudez, perdida mesmo no falar eterno. A separação da vida e da morte é um abraço do céu, num falar de estrelas onde a despedida é o fim. A frieza é infinita mesmo sem abrir os olhos. Faltas são olhares do infinito no consolo de morrer. Faltas são ausências tão perfeitas que se tornam vida da ausência. A ausência do sol e sem lua. As ausências esbarram no sol, procurando um ser inexistente. Encontrarão a morte da imensidão numa morte sem adeus. O adeus ama na minha tristeza. Tudo é só, mas nunca se perde. O adeus é a luz que nasce em mim sem o ver eterno. Ninguém sente o adeus. O adeus é apenas morrer, como um barco que nunca afunda mesmo sem amar.
