Blog da Liz de Sá Cavalcante

Apenas viver

O que nasce é um desamor, onde tudo nasce e parece perfeito, como bordar poesia sem mãos. Nunca nascer é ser de Deus. Para ser de Deus é preciso ser infinita no fim de mim inexistente. Falar é não ter poesia na poesia. Em mim poesia loucura e sanidade é tudo, amor é tudo, a capacidade de lembrar o que o amor é capaz de esquecer e de lembrar, no que o ser não existe. Como pode haver o ser nas mãos de Deus? O que suspiro é o que deveria existir. Minhas mãos suspiram Deus sem as mãos de Deus. A imensidão é o não sentir, onde o ser é mais verdadeiro, é a paz interior. Sem ficar, o silêncio é permanência do que já se foi em um sorriso e o sorriso inventou a palavra em uma sensação de vazio, a verdade como ela é. Não existe amor, nada há para aceitar apenas viver.