Eu penso e é a distância do meu ser dentro do meu pensamento. Tudo sei de mim, porém nada sei do que é pensar. Nunca serei o que penso, pois é além de mim, profundo, nebuloso demais. O ser pode faltar ao pensamento, já a vida, não. O pensar é um imaginário que se descreve vendo. O ser não se vê. Ver é ter sutura nos olhos, para caminhar com o olhar. Nego meu olhar, mas não nego a sutura dos olhos para a alma. O nada bebe o desespero do olhar. Sente os rins da vida adormecerem no meu olhar, até poder ser mar? É o tempo a partir sem vestígios do nada, para ter o nada para si, como a última morte, o último amor, no primeiro adeus.
