O nada é leve como a indiferença de ser o viver de mim mesma. A indiferença é minhas entranhas em mim. O ar desaparece nas espumas do pensamento. É como adiar o passado na minha morte. Sinto que desesperar me acolhe e me faz viver minhas perdas melhor do que eu mesma. Viver é o que se foi para onde não há vida, nem o ser, apenas a ternura do vento, na tristeza do silêncio que solta o ar do Universo, que estava preso dentro do Universo. Uma sombra de luz define o nada. O vazio cessa o ser na luz do ser. Como vou morrer se vejo a luz? Nada absorve a luz. O silêncio é a escuridão dos mortos, é a vida.
