Blog da Liz de Sá Cavalcante

Reduzir

O ser não pode ser reduzido ao ser. O ser do ser é o normal. O ser faz da realidade o ser que falta em mim. Se o meu ser constrói a realidade, não é mais um ser, é apenas o fim do que não houve. O ser se relaciona em mim, sem eu ser um ser. Se eu fosse um ser, morreria. Eu ser eu já é difícil. Ser eu com um ser em mim é falta de amor. Tudo que é bom é complexo, existe na ilusão do amor. Quando amo e sou amada, o amor não é uma ilusão, é real, pois existo no amor. O amor irreal é apenas existência do irreal. O céu vem de quem ama, da existência plena, completa. O irreal é a verdade manifestada, que faz bem a mim e à alma, faz-me humana. A alma se rasga absorvendo o seu fim. Fim do nós que éramos. Agora não consigo ser apenas eu. Sinto mais falta da alma do que de mim. Se o nada não existe, o que é que aparece na forma do nada? A inferioridade do ser, que o faz ter medo de si. Apenas o nada, aparecendo em ser, tira o medo do nada, que é amor. O ser não sente, morre. Ao transformar o nada em algo, tudo se tornou algo de alguém, que não sabe morrer. Quanta infelicidade, sem eu revelar meu ser. Assim, meu ser se parte no meio do Sol, para ver a imensidão do infinito e ser conhecido, feliz.