Cheiro de ar, sombra de luz. Infinita ausência de palavras. O que leio com os olhos não leio com o pensar. A alma cresce e reage à força que tem. O espelho do céu é o caminhar das estrelas. Nada se sente sem saber. O mundo é claro, sendo metade da alma. Contenho a morte para ela não tirar nada de mim. Machuca ser apenas alma, onde acaba o Sol e tudo se multiplica em dor, como grãos de areia que se multiplicam em dor, tornam-se o mar. Mar de águas mortas, da paz do céu. O céu externado no mundo é uma criança dormindo, doente de dormir. O dormir apavora a aflição, a solidão. Não quero que tenha fim, como grãos de areia nas minhas mãos. Tento sentir saudade da morte no fim do sentir. O luto é uma esperança, dádiva de nascer só, com névoas, nuvens. Agora tenho todo o ar do mundo para respirar.
