Acordo-me com a morte para não acordar atormentada. A verdade sem o real é o ser sem tormento. A verdade é real na alma. Que alma é o irreal de mim? Reaver o sonho sem o irreal não é sonho, é o real. Estou dentro dos meus sonhos, para não estar dentro de mim. Lembrar é a imagem de um sonho. Nada em mim é sonho, é além das sombras. Pensar não define a vida, a deixa no ar, no abismo, na dúvida de saber o não saber. Morrer não é ir longe demais, nunca ter conhecido nada. Conheci a mim sem a vida. Mãos feridas de morte, num céu de vida. Esqueço minhas mãos, como mortes sem mãos, sem as mãos de Deus, minhas mãos não apenas existem, como se descosturam em céus. Nada no teu olhar é o que vivi. Deixo o vento se esconder na chuva para voltar para onde morri.
