Lágrimas de sol, sonhos de chuva. Lágrimas de sol em um rosto frio. Meu ser tornou-se passado, agora é vida. Voltei a mim, estando em mim. O céu é a certeza de depois. A inessência não sabe se é boa ou ruim, mas, nela, a vida fica dentro de mim em lembranças de amor. O amor, quando vem, partindo logo como um sopro de vida. Na inessência o amor é sempre amor, dessa maturidade nasce a essência: minha morte. Escrever me torna sem a essência ou inessência: me torna eu. Lágrimas de sol são a inessência da minha essência. Lágrimas de sol renovam o meu amor, fazem eu me sentir amada. Lágrimas de sol transcendem minha alma. Lágrimas de sol superam a vida. Sou aprendiz da minha alma, das lágrimas de sol. A morte é uma maneira de ser. Caminho sem vida: sou puro ar. Nada é o antes sem o depois. O antes no depois é a alma. Não tenho de ser eu sempre. Algo não é só, me separa de mim. A vida é um nada para mim: choro pela vida! O pensar se revela como vida, como nada. Afeiçoei-me ao pensar. Mesmo que nada seja, não sei ficar sem pensar. O abrigo da morte sai de si para um outro lugar, onde a paz da vida não pode alcançar. A paz da vida é o pulsar da morte. Perdi mais que sonhos, perdi a morte, o desejo de morrer. Quero que o ontem seja jamais. O passado não é o ontem, o jamais é o que tento sentir. Conheço-me tanto que não preciso existir: meu amor é a minha única existência. O amor não pode existir sempre: na pausa da vida o amor é eterno, como se a vida continuasse e eu a visse numa única imagem: amor. A imagem dá vida à vida. Eu dou vida a mim.
