Blog da Liz de Sá Cavalcante

O ser transcendente

O ser transcendente é a alma real, que torna a imagem um vazio, sem a imagem ser vazia. A alma não transcende como o ser. A alma une meu ser à vida. Não há vida sem união. A vida, única realidade morta. Há tantas realidades distantes da vida. Eu conheço a realidade, nasci com ela, mas não nela. A alma é solene, parece uma pedra caindo no abismo de mim. O abismo de mim é o chão. Piso no chão do mundo: meu coração, que mantém o chão da vida sem passos. Escrever, reescrever a vida com ou sem amor. As palavras são a certeza de que morri, não para sempre. Envelheci no amor. Dor, falta vida, de um amor tranquilo. Sofro como amo. A vida é lembrada na alma, como se eu fosse teu esquecer: permanência do nosso amor. O amor tem a coragem de Deus. Nunca se preenche o preencher, que não se torna ausente. É ausência, a ausência se reflete no meu corpo, o faz chorar, distante dos meus olhos e perto do amor. Meu sofrer não é negativo, não consigo ser negativa por sofrer. A alegria é negação de ser. Sou feliz ao negar quem sou. Me oprimir é não me negar. A lua são luzes escondidas dentro de mim. O azul do céu, lua eterna que me derrama dentro dela. O desmaiar, morrer da lua, é apenas partir. Minha voz fala como se tivesse a lua dentro dela, mas não falo para a lua, falo pela lua dentro de mim.