Abri a morte por dentro, não me vi nela. Absorvi o silêncio do nada, como um resto de morte ainda em mim. Sofrer não elimina a dor. Eliminando a dor com mágoa onde o sofrer da dor é ilusão. Sofro mais do que minha ilusão. A dor se torna o real, a única realidade. Deixei a morte no amor, parei de morrer. A verdade não tem justificação. Será a justificação da verdade uma mentira? O abraço vai até a alma, se contorce de alegria, de amor. Os abraços imaginários constroem o tempo que se foi. Partiu, me deixando em mim. Nada em mim é o tempo que partiu. Sou o que restou do tempo em mim. A flexibilidade do tempo é a alma, o tempo se adapta ao amor. Tornou-se um tempo de amor. Amor que existe sem o tempo. A ausência é um pensamento de ser, existir. A lembrança é o pensamento simbólico, afetivo. A vida é o pensamento concreto, que não pode ser afetivo. Nada me deixa ser, tudo se torna um ser, até mesmo o nada. Todo pensar se inicia no amor. A morte foi fechada, lacrada por dentro de mim. Penso ser eu a morte, agora que ela está dentro de mim, sei que sou diferente de morrer. Essa diferença continuará depois de eu morrer. Mesmo eterna, ainda sou diferente da morte. A morte não sente o que eu sinto. O ser morre pela lembrança de ser. Amar é não ter lembrança. A lembrança me impediu de me perceber. Quando o amor da alma for até o corpo, é porque irei morrer.
